Cidades
Testemunhas relatam detalhes de acidente que matou duas pessoas e deixou outra ferida
Depoimentos apresentados durante julgamento mencionaram carro na contramão, reação do motorista e supostos sinais de embriaguez
O Tribunal do Júri da 7ª Vara Criminal da Capital realiza nesta segunda-feira (28), o julgamento de Sérgio Praxedes, acusado de provocar um acidente que matou duas pessoas e deixou outra ferida após trafegar pela contramão na Avenida Fernandes Lima, Maceió. O réu permaneceu oito meses preso durante o processo.
Durante a sessão, testemunhas foram ouvidas pelo Ministério Público e pela defesa. A primeira foi Rosirene Cristina, policial militar que afirmou ter presenciado parte da ocorrência. Ao ser questionada pelo promotor de Justiça Thiago Riff, ela relatou que seguia de motocicleta com o marido quando percebeu um veículo grande e branco trafegando pela contramão, nas proximidades do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
“Íamos descendo e, nas imediações do TCE, tinha um veículo grande, branco, que vinha na contramão. Meu esposo disse: ‘Meu Deus, que loucura, vem um carro na contramão’. Aí meu marido conseguiu puxar para a faixa da direita e se livrar. Aí ouvi o barulho de quando ele bateu”, relatou a testemunha.
Rosirene afirmou que o veículo era um Renegade e contou que um dos motociclistas foi arremessado após a colisão. De acordo com ela, o motorista saiu do carro depois do acidente e algumas pessoas que estavam no local tentaram agredi-lo, mas foram impedidas por policiais que trabalhavam nas proximidades do TCE.
Ela também relatou ter percebido sinais que, segundo sua avaliação, indicavam possível embriaguez. “Ele estava cambaleando”, afirmou a policial.

Rosirene disse ainda que permaneceu no local até a chegada da guarnição policial, deixando a área antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Outra testemunha ouvida durante o julgamento foi a irmã de Dona Quitéria, uma das vítimas. Ela relatou que a familiar ficou emocionalmente abalada após o acidente e passou a conviver com sequelas. “Ela ficou emocionalmente abalada, sem condições de trabalhar, pois ficou com sequelas, não pode ficar muito tempo sentada e nem em pé. Ela toma remédio até hoje”, declarou.
A mulher também afirmou que o tratamento da irmã foi realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “A única coisa que ele fez foi dar pacotes de fraldas para ela”, disse.
Questionada pela defesa sobre a possibilidade de o réu ter pago sessões de fisioterapia, ela respondeu: “Não, o tratamento dela, que eu saiba, foi pelo SUS.”
Ambulante relata momento do acidente
A terceira testemunha, Murilo Lourenço, contou que trabalhava como ambulante nas proximidades do local da ocorrência. “Eu trabalho próximo, chego logo cedinho, sou ambulante. O carro saiu da rua do posto de gasolina e pegou a contramão. Todo mundo ficou pasmo: esse cara vai para onde? Aí escutamos o estouro e disseram que ele pegou duas motos”, relatou.
Murilo afirmou que não foi até o ponto da colisão porque teria visto imagens das vítimas feridas.
Leonardo Ferreira foi outra testemunha ouvida pelo júri. Ele pediu para prestar depoimento na ausência do réu. “Eu vi o acidente, tenho um caldo de cana, estava com um cliente, aí o rapaz veio na contramão e eu comecei a acenar, dizendo: ‘Pare, é contramão’. Mas não teve jeito”, afirmou.
Segundo Leonardo, um carro conseguiu desviar do veículo, mas a colisão aconteceu logo depois. “Um carro desviou e logo em seguida houve a colisão. Eu tirei logo o rosto para não ver o acidente. Um rapaz caiu perto do meu estabelecimento, já morto. Ele foi arremessado, voou e já caiu morto”, relatou.
A testemunha disse ainda que correu até o local e viu o motorista sair do carro. “O motorista saiu atordoado e todo mundo que viu o acidente ficou se juntando, estressado, e um policial do Tribunal de Contas prendeu ele. Se o policial não tivesse chegado, o pessoal tinha agredido. Lembro que ele, quando viu a bagaceira, começou a passar a mão na cabeça”, afirmou.
Leonardo também disse ter visto uma garrafa verde dentro do veículo, que, segundo ele, seria de cerveja. Questionado pela defesa se viu o motorista se aproximar de alguma vítima ou se abaixar após sair do carro, respondeu que não.
Réu é questionado sobre medicamento
Durante o interrogatório, o promotor questionou Sérgio Praxedes sobre um problema de insônia e o uso de medicamento para dormir.
O réu afirmou que costumava tomar clonazepam por volta das 21h, mas disse que não havia tomado o medicamento no dia do acidente. O promotor também perguntou sobre a garrafa encontrada no interior do veículo e se ele havia continuado consumindo bebida alcoólica.
Praxedes respondeu que tinha o hábito de guardar as garrafas no carro para não jogá-las na rua. O promotor então questionou a justificativa, argumentando que o réu estava em uma festa e poderia ter deixado o recipiente no local.
Ao ser questionado pela defesa sobre como se sente diante do caso, Sérgio Praxedes afirmou: “Queria me solidarizar com os familiares e o que posso afirmar é que isso deixou minha vida de cabeça para baixo.”
O julgamento acontece na 7ª Vara Criminal de Maceió. Ao final da sessão, os jurados deverão analisar as acusações apresentadas no processo e decidir sobre a responsabilidade criminal do réu.
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